Reforma Tributária

Simples Nacional e a Reforma Tributária: o que muda para quem está no regime simplificado

O Simples Nacional continua existindo, mas a Reforma muda a lógica de créditos tributários de um jeito que afeta diretamente quem vende para outras empresas.

Matheus Contador

28 de junho de 2026

Existe uma crença muito comum entre donos de pequenos e médios negócios: "estou no Simples, isso não é comigo." Quando o assunto é Reforma Tributária, essa crença pode custar caro.

O Simples Nacional vai continuar existindo. Mas a dinâmica do regime muda com a entrada do IBS e da CBS — e quem não entender essas mudanças vai tomar decisões erradas nos próximos anos.

O que é o Simples Nacional

Um regime criado para facilitar a vida de micro e pequenas empresas. Em vez de recolher vários impostos separados — IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, ICMS, ISS — a empresa paga uma alíquota única mensal sobre o faturamento. Uma guia, um percentual, menos burocracia.

Hoje, cerca de 60% das empresas brasileiras estão no Simples. É o regime mais comum para negócios com faturamento de até R$ 4,8 milhões por ano.

O que a Reforma muda para quem está no Simples

A principal mudança não é o fim do Simples — é a forma como os créditos tributários funcionam dentro dele.

No novo sistema, o IBS e a CBS funcionam com créditos amplos. Quem compra de uma empresa no Lucro Presumido ou Lucro Real consegue aproveitar o crédito do imposto pago naquela compra e abater no que vai pagar nas suas vendas. Isso reduz a carga tributária de toda a cadeia.

O problema: quem está no Simples Nacional não gera crédito da mesma forma para os compradores. Quem compra de uma empresa no Simples não aproveita o crédito integral de IBS e CBS. E isso pode virar critério de eliminação em negociações B2B.

Se você vende para outras empresas — distribuidores, atacadistas, prestadores de serviço para PJ — seus clientes vão começar a preferir fornecedores fora do Simples porque eles geram crédito. Não acontece de uma hora para outra, mas é uma tendência que vai se intensificar.

Para quem vende para o consumidor final, o impacto é menor

Se o seu negócio vende direto para pessoa física, esse problema de crédito não existe. O consumidor não aproveita crédito tributário.

Para esse perfil, a questão é outra: a alíquota efetiva do Simples vai continuar sendo mais vantajosa do que as alíquotas do IBS e CBS? Isso depende do faturamento, do setor e de como as alíquotas forem definidas para cada segmento.

Em alguns setores, o Simples vai continuar sendo a melhor opção. Em outros, pode não ser.

A janela que poucos estão vendo

A transição da Reforma vai até 2033. Você tem tempo para analisar com calma — mas calma não significa depois. Significa agora, com planejamento.

O empresário que analisar o perfil dos clientes, o regime atual e as projeções do novo sistema vai conseguir decidir com antecedência se mantém o Simples ou migra. Essa decisão feita com tempo é muito mais barata do que feita na pressão.

O que fazer agora

Mapear quem são seus clientes. Você vende principalmente para pessoa física ou para outras empresas? A resposta muda completamente a estratégia.

Verificar o faturamento dos últimos 12 meses e projetar os próximos 2 anos. Se você está próximo do limite do Simples, a Reforma pode ser o momento de repensar o regime antes de ser forçado a mudar.

Conversar com o seu contador sobre o impacto no seu setor. Alimentação, serviços, comércio, construção — cada segmento vai se comportar de forma diferente no novo sistema.

A Reforma Tributária não é um problema de contador. É uma decisão de negócio que começa com o dono da empresa.

Entre em contato com a MC Gestão Empresarial para uma análise gratuita. Vamos olhar para o seu regime atual, o seu perfil de clientes e o novo sistema, e te dizer exatamente o que muda e o que fazer antes que a reforma chegue de vez.

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