Planejamento Tributário

Como recalcular o preço do seu produto com a Reforma Tributária sem perder margem

Com o IBS e a CBS, o custo efetivo dos seus insumos muda. Quem não recalcular o preço antes de 2027 vai descobrir a diferença quando a margem começar a desaparecer.

Matheus Contador

28 de junho de 2026

Tem uma pergunta que todo empresário vai precisar responder nos próximos dois anos, e a maioria ainda não começou a pensar nela: quanto vai custar o meu produto depois da Reforma Tributária?

A resposta depende do seu regime tributário, do perfil dos seus fornecedores, da sua margem atual e de como o IBS e a CBS vão incidir sobre o seu setor. Mas uma coisa é certa: quem não recalcular o preço vai errar — para mais ou para menos.

O problema da precificação no modelo atual

A maioria das empresas brasileiras precifica no escuro tributário. Você sabe quanto pagou pelo insumo, sabe qual é a margem desejada, e coloca um preço. O imposto embutido no custo e na venda está lá, invisível.

Isso funciona enquanto o sistema não muda. Quando o sistema muda, o preço calculado no modelo antigo pode estar completamente errado no modelo novo — e você só descobre quando a margem começa a desaparecer.

O que muda na lógica do preço com IBS e CBS

No novo sistema, o IBS e a CBS funcionam com créditos. Você paga imposto quando vende, mas abate o imposto que já foi pago pelos seus fornecedores quando compraram os insumos para você.

Isso muda o custo efetivo dos seus produtos. O preço que você paga ao fornecedor hoje embute impostos que, no novo sistema, vão gerar crédito para você. O custo líquido do insumo pode ser diferente do que aparece na nota.

Em alguns casos o custo efetivo cai — porque o crédito recuperado é maior do que o imposto que incidia antes. Em outros, a alíquota sobre a sua venda sobe mais do que o crédito recuperado, e a margem comprime. Qual dos dois acontece no seu negócio depende de análise.

O risco de não recalcular

Imagine um produto com margem de 30% calculada no sistema atual. Com a entrada do IBS e da CBS, o custo efetivo do principal insumo cai 5% por conta dos créditos recuperados. Mas a alíquota sobre a venda sobe 8%.

Se você não recalcular, vai continuar cobrando o mesmo preço com uma margem que agora é de 27%, não de 30%. Multiplicado pelo volume mensal, pode representar dezenas de milhares de reais por ano.

O contrário também acontece. Tem empresário que vai descobrir que a margem aumentou — porque os créditos compensam mais do que o tributo novo. Esse pode ser mais competitivo no preço sem perder margem. Mas se não recalcular, vai deixar essa vantagem na mesa.

Como fazer o recálculo

Primeiro: mapear os principais insumos e fornecedores. Saber quem está no Simples, no Lucro Presumido ou no Lucro Real — porque isso determina o crédito que você vai conseguir aproveitar de cada compra.

Segundo: identificar a alíquota efetiva de IBS e CBS que vai incidir sobre o seu produto ou serviço. Alguns setores têm alíquota reduzida, outros têm alíquota padrão. Essa informação muda tudo no cálculo.

Terceiro: refazer a planilha de CMV com os novos parâmetros — custo líquido de créditos, alíquota de saída, margem desejada. O preço final vai ser diferente do que você cobra hoje.

Quarto: decidir o que fazer com a diferença. Se a margem vai aumentar, você pode baixar o preço para ganhar competitividade, manter e aumentar a margem, ou investir a diferença. Se vai cair, precisa repassar para o preço ou reduzir custos operacionais.

O timing que importa

Esse recálculo precisa acontecer antes de 2027, quando o IBS e a CBS entram com alíquotas mais relevantes. Fazer isso com antecedência permite ajustar preços gradualmente, sem impacto brusco para o cliente.

Mudar o preço de uma vez, na pressão, depois que a margem já comprimiu, é sempre mais difícil e arriscado do que um ajuste planejado com tempo.

Entre em contato com a MC Gestão Empresarial. A gente faz a análise do impacto da Reforma na sua precificação, calcula o custo efetivo dos seus insumos no novo sistema e apresenta o preço correto para manter — ou aumentar — sua margem.

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