Reforma Tributária
Imposto Seletivo e o setor de food: o que muda para bares, restaurantes e distribuidoras de bebidas
Bebidas alcoólicas, refrigerantes e produtos açucarados estão na lista do Imposto Seletivo. Para bares e restaurantes que dependem da venda de bebidas, o impacto na margem é real.
Matheus Contador
11 de julho de 2026
A Reforma Tributária não cria só IBS e CBS. Cria também o Imposto Seletivo, e ele vai direto para uma das maiores fontes de margem de bares e restaurantes: as bebidas.
Cerveja, vinho, destilados, refrigerantes, energéticos. Se a sua operação depende da venda de bebidas para fechar o mês no azul, você precisa entender o que está vindo.
O que é o Imposto Seletivo
O Imposto Seletivo, chamado de IS, é um tributo federal que vai incidir sobre produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. A lógica é simples: quanto mais nocivo o produto, maior a tributação. O objetivo é desestimular o consumo por meio do preço.
Não é uma ideia nova. O IPI já faz isso para cigarros e bebidas alcoólicas. O que a Reforma faz é ampliar e modernizar esse mecanismo dentro do novo sistema tributário.
O que entra na lista para o food
Bebidas alcoólicas são o principal item para o setor. Cervejas, vinhos, destilados e coquetéis prontos entram na lista do Imposto Seletivo. A alíquota varia por tipo de produto e grau alcoólico.
Bebidas açucaradas também estão incluídas. Refrigerantes, sucos industrializados com açúcar adicionado e energéticos entram na lista, embora com alíquotas menores do que as bebidas alcoólicas.
Produtos do tabaco completam o quadro para bares que comercializam cigarro, charuto ou similares.
O problema para bares e restaurantes
O Imposto Seletivo não gera crédito para o comprador. Diferente do IBS e da CBS, que funcionam com sistema de abatimento ao longo da cadeia, o IS é cobrado uma vez e vai direto para o governo. Quem vende o produto absorve o custo ou repassa para o preço.
Para um bar que tem 40% do faturamento em bebidas alcoólicas, um aumento de tributação sobre esses produtos afeta diretamente a margem. O preço de compra do distribuidor vai subir à medida que o IS entrar em vigor, e a decisão de repassar ou não para o cliente é do dono do negócio.
Distribuidoras de bebidas são as mais impactadas na cadeia. Elas compram volume, estocam e revendem. Qualquer variação no custo de aquisição aparece rápido no resultado.
Quando o Imposto Seletivo entra em vigor
O IS está previsto para entrar junto com as alíquotas plenas do IBS e da CBS, a partir de 2027, com implementação gradual até 2033. Em 2026, a fase ainda é de teste com alíquotas reduzidas.
Mas a regulamentação do IS está sendo publicada em partes ao longo de 2026. As alíquotas por categoria de produto, a lista completa de itens e as regras de recolhimento ainda estão sendo definidas. Acompanhar essas publicações é parte do trabalho de quem opera com bebidas.
O que fazer agora
Revise a composição do seu faturamento. Qual percentual vem de bebidas alcoólicas? De refrigerantes e energéticos? Esse número vai dizer o quanto o Imposto Seletivo vai pesar na sua operação.
Converse com os seus fornecedores de bebidas sobre como eles estão se preparando para o IS. Distribuidoras bem preparadas vão conseguir trabalhar com preços mais estáveis na transição. Distribuidoras despreparadas vão repassar incerteza para você.
Revise a sua formação de preço agora, antes de 2027. Cardápios com preço de bebida calculado sem considerar o IS vão precisar de ajuste. Ajuste planejado é muito mais barato do que ajuste feito na urgência.
O Imposto Seletivo não vai acabar com bares e restaurantes. Mas vai mudar a equação de margem de qualquer operação que depende de bebidas para ser rentável.
Entre em contato com a MC Gestão Empresarial. A equipe analisa o impacto do Imposto Seletivo no seu mix de produtos, calcula o efeito na margem e apresenta o que precisa ser ajustado na precificação antes que o sistema entre em vigor.
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