Reforma Tributária
IBS e CBS: o que muda na prática para o seu restaurante a partir de 2027
A partir de 2027, IBS e CBS substituem cinco tributos que você já conhece. Para o dono de restaurante, isso muda o caixa, a precificação e a operação — antes do que a maioria imagina.
Matheus Contador
23 de junho de 2026
A reforma tributária chegou. E se você tem um restaurante, bar, lanchonete ou qualquer negócio de alimentação, precisa entender o que vem por aí antes que a mudança te pegue de surpresa.
A partir de 2027, dois tributos entram em cena: o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços). Eles vão substituir cinco tributos que você já conhece — PIS, Cofins, ICMS, ISS e IPI. A transição acontece de forma gradual até 2033, mas os efeitos práticos começam antes.
Este artigo não é sobre teoria tributária. É sobre o que muda no seu caixa, na sua precificação e na sua operação.
O que são IBS e CBS, sem enrolação
Os dois funcionam com a mesma lógica: incidem sobre o valor agregado em cada etapa da cadeia produtiva. Quem vende paga, mas tem direito de abater o que já foi pago por quem forneceu antes.
A CBS é federal. O IBS é estadual e municipal. Juntos, formam a base do novo sistema tributário, que ainda conta com o Imposto Seletivo — esse, porém, mira principalmente bebidas alcoólicas e produtos considerados prejudiciais à saúde, não o serviço de alimentação em si.
A alíquota padrão combinada de IBS e CBS deve girar em torno de 26% a 28%. Esse número assusta. Mas a história não para aí.
O setor de alimentação tem tratamento diferenciado
A reforma criou um regime específico para alimentos. Refeições servidas em restaurantes entram na categoria de serviços de alimentação fora do lar — com redução de 60% na alíquota padrão.
Na prática, a alíquota efetiva para restaurantes ficaria entre 10% e 12%, dependendo da regulamentação complementar que ainda está sendo definida.
Parece bom? Depende de onde você está hoje.
Simples Nacional: o ponto de atenção que pouca gente está vendo
A maioria dos restaurantes brasileiros está no Simples. E é exatamente aqui que mora uma questão que pouca gente está discutindo.
Empresas no Simples que vendem para outras empresas (B2B) vão enfrentar um problema de competitividade. Os compradores não conseguem aproveitar créditos tributários de quem está no Simples da mesma forma que conseguem de quem está no Lucro Presumido ou Real. Para restaurantes que fornecem para empresas, hotéis ou eventos corporativos, isso pode virar critério de eliminação em negociações.
Para quem vende direto ao consumidor final — a maioria dos casos — o impacto é menor. Mas não é zero.
O que muda na precificação do cardápio
Com o novo sistema de créditos, você vai poder abater o imposto pago nas suas compras de insumos. Farinha, óleo, embalagens, equipamentos — tudo isso pode gerar crédito para abater no imposto que você cobra ao vender.
Parece vantagem imediata. Mas tem outra face.
Seus fornecedores também vão repassar mais transparência no preço deles. O imposto que antes estava embutido e escondido nas notas vai aparecer de forma explícita. Isso pode elevar o preço de compra aparente, mesmo que o imposto efetivo seja o mesmo ou menor.
Traduzindo para o dia a dia: você vai precisar rever sua planilha de custos, recalcular o CMV e entender como cada insumo vai se comportar no novo sistema antes de mexer nos preços do cardápio. Fazer isso com urgência, sem análise, pode corroer sua margem.
A transição não é 2027 e pronto
Em 2026, começa um período de teste com alíquotas simbólicas — só para o sistema funcionar e ser monitorado. Em 2027, o IBS e a CBS começam a vigorar com alíquotas reduzidas. Ao mesmo tempo, os tributos atuais começam a ser reduzidos gradualmente. Até 2033, a migração completa acontece.
Isso significa que durante anos, sua empresa vai conviver com dois sistemas ao mesmo tempo. Duas lógicas de apuração. Dobro de atenção necessária.
O que você deve fazer agora
Primeiro: entenda em qual regime você está e se ele ainda vai ser vantajoso no novo sistema. Simples Nacional pode deixar de ser a melhor opção para alguns perfis de restaurante.
Segundo: mapeie seus fornecedores. Saber quem está no Simples, no Lucro Presumido ou no Lucro Real vai fazer diferença quando você for calcular os créditos tributários.
Terceiro: revise sua estrutura de custos. Planilha de CMV desatualizada gera decisões erradas de precificação. A reforma é um bom motivo para colocar a casa em ordem agora, antes da pressão aumentar.
Entre em contato com a MC Gestão Empresarial para uma análise gratuita do seu negócio. Vamos olhar para a sua realidade específica e identificar o que muda, o que você pode ganhar e o que precisa ajustar antes que a reforma chegue de vez.
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