Reforma Tributária
CBS é imposto por fora: por que sua empresa precisa revisar os contratos agora
A CBS funciona como imposto por fora, igual ao IPI. O valor da nota fiscal vai aumentar sem que o preço do produto mude. Empresas com contratos ativos precisam revisar antes de 2027.
Matheus Contador
18 de julho de 2026
No Brasil, existem dois modelos de tributação na nota fiscal.
No imposto por dentro, o tributo já está embutido no preço. Quando você cobra R$ 1.000 por um serviço, o imposto já está dentro desse valor. É o modelo atual do ICMS, ISS, PIS e COFINS.
No imposto por fora, o tributo é adicionado sobre o preço. O produto custa R$ 1.000, mais o imposto em cima. É o modelo do IPI, e será o modelo da CBS e do IBS.
Essa diferença parece técnica. Na prática, ela vai aumentar o valor da nota fiscal sem que o preço negociado entre as partes mude.
Como isso vai aparecer na nota fiscal
Veja um exemplo direto.
Hoje (imposto por dentro):
- Serviço contratado: R$ 10.000
- PIS/COFINS embutidos: R$ 365
- Valor da nota: R$ 10.000
Após a Reforma (imposto por fora):
- Serviço contratado: R$ 10.000
- CBS + IBS destacados: R$ 2.750 (alíquota estimada de 27,5%)
- Valor da nota: R$ 12.750
O contrato diz R$ 10.000. A nota vai cobrar R$ 12.750.
Quem paga a diferença? Se o contrato não prever isso, a discussão vai para o jurídico.
Por que Amazon, Shopee e marketplaces são o caso mais claro
Plataformas como Amazon, Shopee e Mercado Livre operam como intermediárias. Elas retêm a comissão antes de repassar o valor ao vendedor.
Com a Reforma Tributária, essa dinâmica muda. O CBS e o IBS precisam aparecer destacados na nota fiscal emitida pela plataforma ou pelo vendedor. A base de cálculo do imposto pode incluir ou excluir a comissão da plataforma, dependendo de como a nota for estruturada. Quem vende por marketplace e não revisar o modelo de emissão de nota pode acabar pagando imposto sobre um valor que não recebeu.
A Reforma prevê que valores retidos pelas plataformas podem ser excluídos da base do IBS/CBS, mas isso exige que a nota fiscal tenha campos específicos para discriminar cada parcela. Sem essa estrutura, a tributação é integral.
O risco real para empresas com contratos ativos
Pense em qualquer empresa que tenha contratos de fornecimento, prestação de serviços ou locação com vigência além de 2026. Esses contratos foram assinados com base na estrutura tributária atual, onde o imposto já está embutido no preço.
Com a entrada do CBS como imposto por fora, surgem três cenários.
Cenário 1: o contrato não prevê reajuste tributário. O fornecedor vai emitir nota com valor maior. O comprador vai contestar. A relação vai para litígio.
Cenário 2: o contrato prevê repasse de variação tributária. O comprador vai receber nota maior e vai questionar se a variação foi calculada corretamente. Ainda gera atrito, mas há base contratual para resolver.
Cenário 3: o contrato foi revisado antes de 2027. As partes já definiram como o CBS vai ser tratado. Menos conflito, mais previsibilidade.
O que revisar nos contratos agora
Cláusula de variação tributária. Todo contrato de médio e longo prazo deveria ter uma cláusula que define o que acontece quando a carga tributária muda. Se o seu contrato não tem isso, o risco fica indefinido.
Definição do preço-base. O contrato precisa deixar claro se o preço informado é com imposto incluso ou sem imposto. Com o CBS por fora, essa distinção vai determinar quem arca com o aumento.
Prazo de vigência. Contratos que vencem antes de 2027 têm menos urgência. Contratos que se renovam automaticamente ou que têm vigência longa precisam de atenção imediata.
Contratos com marketplaces e plataformas. Se você vende por Amazon, Shopee, Mercado Livre ou similares, revise os termos da plataforma sobre tributação. Muitas plataformas já estão atualizando seus contratos para definir como o CBS será tratado nos repasses.
Quem deve agir com mais urgência
Empresas com contratos de fornecimento de longo prazo (mais de 12 meses), prestadores de serviço com contratos de recorrência (mensalidades, retainers, manutenção), vendedores em marketplaces com alto volume e empresas que têm clientes no Lucro Real, porque esses clientes vão querer aproveitar crédito de IBS/CBS e vão questionar a nota se ela não estiver estruturada corretamente.
A janela de 2026
2026 é o ano de preparação. A Reforma já está aprovada, o cronograma está definido, e os contratos podem ser revisados agora, com tempo, sem pressão e sem conflito.
Quem esperar 2027 para revisar os contratos vai fazer isso em situação de aperto: com nota maior na mão, cliente questionando e sem saída fácil.
A revisão contratual é uma das ações mais simples e mais ignoradas da preparação para a Reforma Tributária. E é uma das que têm maior potencial de evitar litígio.
Entre em contato com a MC Gestão Empresarial para revisar seus contratos antes de 2027.
Tem dúvidas sobre esse assunto?
Nossa equipe está disponível para uma conversa sem compromisso.
Mais artigos
Planejamento Tributário
CNPJ Alfanumérico e CNPJ Obrigatório para Autônomos: o Que Muda em 2026
Gestão Financeira
Comissão do iFood na Nota Fiscal: Se Não Estiver Destacada, Você Paga CBS Sobre Dinheiro Que Não É Seu
Departamento Pessoal
Fim da DIRF em 2026: Como a Fiscalização 100% via eSocial Muda o Departamento Pessoal